sábado, 18 de abril de 2009

Sem nada

Sem nada
E então acordei sem culpa
Assim como a chuva cai
E como o gelo derrete
Não tive culpa de me apaixonar

Pois assim como a abelha fabrica seu mel
E a leoa cuida de seus filhotes
Me senti culpado por te querer demais

Mas assim como o fogo apaga
E a flor murcha
Não tive culpa do meu amor acabar

Pois da mesma forma que a moça envelhece
E a madeira apodrece
Não tive culpa do meu sentimento se desgastar

Como uma matilha migrando
Mas parecendo uma manada de elefantes brigando
Não tive culpa de partir

E como o filho pródigo volta ao lar
E os rios procuram o oceano
Não tive culpa de querer te procurar

Pois como os sete pecados capitais
E a invenção do medo
Eu não tenho culpa de errar

E como o clima que pode esfriar no inverno
E um câncer que pode demorar a se curar
Não tive culpa de te esquecer

Mas como o sol que renasce toda manhã
E as flores que brotam toda a primavera
Não tive culpa de no final voltar a amar você