sábado, 29 de dezembro de 2007

Pompéia


Figo e Pompéia se conheceram assim. Os dois olharam-se... nada. Os dois olharam-se de novo... Figo estava apaixonado. Os dois se olharam novamente... é, só Figo estava apaixonado.

Então, como o destino de todo homem apaixonado, só restou a figo peregrinar pelo mundo inteiro, na busca da rosa do amor, a qual faria Pompéia cair de amores por Figo.
Mas como toda mulher que tenha uma beleza simples, olhar enigmático e uma graça que conquiste a todos, ela já tinha alguém.

No bem da verdade, Pompéia nunca amou, apenas gostava de ter os homens aos seus pés e como fantoches brincar com eles por algum tempo, fazê-los mudar por ela, a maior prova de ‘amor’ que ela poderia ter, e depois enjoar do brinquedo edescartá-los. Queria a perfeição em um homem. Atencioso, romântico o tempo todo, que se ajoelhasse e beijasse sua mão constantemente, mas que não fosse meloso; forte, mas não tão forte; bonito, mas não tão lindo que pudesse lhe causar como efeito colateral concorrentes.

Já Figo... bem Figo só queria Pompéia, se com ela viriam defeitos, se com ela, ele viria a sofrer ou não, realmente não importava. Ele só queria Pompéia, assim, como Deus a criou; não queria mudá-la, mas se necessário tentaria mudar por ela. Mas em suma, queria apenas ser feliz. Não idealizava o romance perfeito, nem a mulher perfeita. Pompéia, com todos seus defeitos e vaidade já o completava.
Pois demorou viu. Realmente não foi uma tarefa fácil amolecer o coração vaidoso de Pompéia, mas depois de dois anos, entre sofrimento, felicidade, angústia e dor, Figo finalmente olhou em seu horizonte, e só via os olhos cerrados de Pompéia a lhe beijar. Figo era outro. Mais feliz, os olhos mais corados, a pele mais macia, só de saber que ao menos tinha lhe dado um beijo.

E quando ela falou que o amava, e quando tiveram sua primeira noite. Figo era só paixão, decidiu simplesmente entregar-se aos braços macios e sedosos do amor.

Pompéia, realmente foi surpreendida por Figo. Não esperava se apaixonar por alguém que nem sequer por um minuto virá como namorado, em outros tempos, mas agora era diferente, realmente gostava dele, e por gostar dele, quis corrigir os pequenos defeitos que Figo carregava em si.

Além do amor incondicional que Figo sentia, por natureza sempre foi um menino meio desleixado para tudo, também nunca soube expressar muito bem o que sentia nem o quanto amava alguém. Com Pompéia, além de ser de longe o maior amor que Figo já teve, não era diferente. Já tinha evoluído muito, abdicou de seu orgulho pelos orgulhos e caprichos de Pompéia, mas mesmo assim parecia não ser suficiente.

Esforçava-se para tentar ser o que Pompéia queria que ele fosse mas não conseguia. Só amava Pompéia porque amava, não precisava mudar o mundo nem lutar com moinhos de vento para isso, o amor era tão simples, mas Pompéia, assim como ela, precisava complicar.
Pompéia não admitia que Figo fosse diferente de seu outros casos, simplesmente não concebia o fato de não conseguir “fantoche-a-lo”, não por falta de esforço de Figo, mas apenas pelo fato de não pertencer a sua natureza ser capacho de ninguém.
Figo já não sabia se o amor de Pompéia era verdadeiro. Não tinha dúvida do que sentia. Há tempos só existia ela em seu pensamento, há tempos já havia fechado a porta do seu coração deixando apenas Pompéia o habitando, mas não tinha mais certeza se a recíproca era verdadeira.
Pompéia mimada, queria ter o mundo girando conforme seu ritmo, não sabia se ainda encaixava-se ao ritmo dela.

Resolveu fazer o mesmo. Subiu a montanha e pensou. A partir de agora em diante, como fiz tantas vezes por ela, se o amor dela for verdadeiro ela virá ao meu encontro, pois afinal amar é abdicar os mais horrendos sentimentos do ciúme, orgulho e vaidade... Ela virá.

A vinte e cinco anos Figo é visto todos os dias no topo da montanha Iguaçu.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Devaneios de Joana

Entre piscadelas e sonhos de milisegundos, tentava me manter acordado à encantadora entediante aula do professor Renato. Ficava pensando enquanto brincava com a lapiseira entre os dedos, como um homem conseguia ter uma bunda daquele tamanho.

Simplesmente aquilo não era normal, era desproporcional e para um professor, que por força da profissão fica mais tempo de costas para o público que de frente, creio que era um tanto quanto inadequado.

Era um mistério que como cálculo II, não estava a fim de desvendar, não naquele momento. Mas por questão de educação lutava contra minhas pálpebras para permanecer acordado.
Em uma última tentativa, decidi de uma vez só, trocar bruscamente de posição, respirar profundamente, levantar a cabeça e procurar me distrair. Olhei para todos os lados, todas as direções, mas foi no caderno de Emílio que meu olhar resolveu aterrizar.
Só poderia estar louco, ou com os óculos embaçados, mas tinha certeza que aquela foto a qual Emílio olhava no caderno, era da minha Jôjo. Sem sobra de dúvidas, só podia ser ela, abraçada a ele de uma forma tão íntima. A minha Jôjo e o Emílio batatão; porque mundo cruel? Justamente quando achei que teria finalmente encontrado o meu grande amor.
Mas estava lá, meus olhos não me deixavam mentir.
“O inimigo está na carteira ao lado!”.
A voz do professor Renato mal chegava aos meus ouvidos. A raiva e a tristeza tomavam conta de mim e ficavam evidentes em meu semblante.
Só pensar que Joana estava tendo um caso com outro, beijando outro, amando outro, meu coração começava a bater descompassado;
Imagens tortas de Emílio e Joana, na cama, suados, se comendo em desejo, ela tentando o satisfazer com movimentos repetidos e grunhidos de prazer, repetindo como numa gravação as mesmas juras que há horas atrás dizia em meus ouvidos, seu corpo delicado sendo apertado pelas mãos que refletiam o clímax que o momento lhes causavam, o barulho da cama, a janela embaçada, a roupa jogada desuniformemente pelo quarto, a embalagem da camisinha rasgada, caída em algum canto.
Aquilo estava me matando. Não conseguia me agüentar na carteira, minha cabeça começava a doer, meu punho começava a fechar, o celular vibrou.
A vagabunda mandando mensagens de amor. Ah! Mas que piranha. Esperta achou que não descobriria e ainda por cima tenta me cegar provando que está completamente em minha mão.
Provavelmente a cadela, insaciável, pensou: Ele mora no centro, o Emílio no Bacacheri, pelo que eu sei não são amigos, não se conhecem, um faz humanas, outro exatas, nunca se verão, se acaso encontrarem-se nunca conversarão, o Emílio é gostoso, ele é maravilhoso, mas se um é bom, dois é melhor ainda.
Pois o erro dela foi ter-me esquecido de lhe contar que estava fazendo calculo II com humanas por ser mais fácil, e conhecer Emílio através de um outro camarada.
Ordinária, já começava a pensar no que dizer a ela, humilhá-la ou vingar-me...
Só sei que antes, era hora de acertar a contas com este filho da puta do Emílio.
A aula acabou, não conseguia olhar para nada, apenas levantei e tomado pela fúria fui em direção à carteira do Emílio, que começava a se levantar. Eu praticamente indo para lhe dar um soco no meio da cara:
- O que a foto desta mulher com você significa? (gritando... a sala parou).
- Esta? Minha irmã, Verônica.
- Ah!