sábado, 27 de dezembro de 2008

Me proponho

Então, como dito, me propus não olhar mais pra trás.
E me fiz prometer que não olharia.

Mas como vi que não seria tão fácil, refiz minha promessa.
Só vou me permitir olhar pra trás quando estiver sozinho, quando estiver na minha estranhamente agradável fossa pessoal, que me faz sentir mais homem, mais poeta, mais humano.

O passado me acompanha sempre, e mesmo quando estou me desligando, indo para o sono diário, um sorriso único vem em minha cabeça, sussurrando dorme bem meu bem.
Creio que amor é algo que nunca passou, nunca deixei de amar e isso é algo indiscutível.
O que aconteceu foi algo diferente.

Não planejei não planejar as coisas, e não era minha intenção não dar atenção às coisas que realmente me faziam bem, mas estou em um mundo alienado, praticamente um adolescente de 14 anos que acha que sabe da vida.

Não sei, só sei que quando tinha 14 anos, me imaginei cantor famoso, me imaginei como aqueles cantores antigos de blues, imaginei inspirando alguém, e quando vi que não inspirava mais nem meu próprio amor. Descobri que tinha que me encontrar de novo.

Isso acontece várias vezes, sempre acabo me desencontrando em alguma esquina qualquer. Demora um tempo, mas eu me acho.
O problema maior é que creio demais no futuro. Acredito que o futuro será perfeito, como sempre imaginei, mas não.
Daqui dez anos não irei revê-la e não iremos casar, foi isso o que ela me disse.
Mas como queria que fosse.

Como queria acordar daqui dez anos dentro do sonho que sonho hoje pra mim.
Em algum lugar do mundo, ouvindo minha musica no rádio, e acordando nos braços dela.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Notas mentais 1


E quando agente percebe, mudou de novo. Não vi passar, não pedir pra que se alterasse mas se foi, ou algo novo se misturou sem pedir permissão à porção.
Em num aglomerado de idéias que se embolaram, de milhões de devaneios e idéias milionárias restou pouca coisa na lembrança e que realmente preste.

Nota mental 1:
O pobre acha que dinheiro traz felicidade, e o rico quanto mais dinheiro ganha, mais tem certeza que essa é a maior das ilusões.

Nota mental 2:
Viver a vida despreocupadamente talvez não seja a melhor opção de vida, mas com certeza é a que te fará mais feliz. Se importar com a opinião alheia, preocupar-se com os outros e principalmente depender deles lhe torna fraco. É por isso que em geral, sou fraco.

Nota mental 3:
Durante a tal da roda gigante, surpresas no caminho acontecem, e o efeito borboleta não é percebido, mas ele ocorre nos mínimos detalhes nas nossas vidas, pena não dar pra saber o que ocorreria em nossos destinos que preferimos deixar de lado.

domingo, 28 de setembro de 2008

Eu


Eu admito que me atrasei
que demorei me perdi, nas ruas da vida
Não foi por falta de avisar
Mas não me achei e pisava em falso
em uma viagem sem volta pra lua

Teus olhos castanhos,
falavam bem claro eu que não ouvia
tentava inventar estrelas onde não existia

Tuas mãos molhadas
tocavam bem forte, eu que não sentia
fingia acreditar no que todos meus amigos diziam
mas só era mais um, apaixonado com a cama vazia

Eu vou roubar, um pouco de tudo que me lembre nós dois
Decidi não tentar esquecer, enquanto a saudade existir
Bater tão forte que
não me deixe acordar sem você
teus olhos esquecer
o gosto da tua boca sumir

E me faça voar em seu céu
sentir seus pés gelados
seu abraço forte em madrugadas frias

E me faça acordar com você
e não me deixe esquecer
que viver sem você
É a pior parte do meu dia

Recomeçar






Seus cabelos no lencol
no quarto o seu cheiro
e na minha janela , corações bordados a dedo
lembram sempre do meu erro

Nao sei porque eu disse tchau
me bateu um certo medo
Mas sou só mais uma estrela
que tem um universo inteiro
para conquistar primeiro

Vai saber o que sobrou de mais, ou o que faltou de menos
Entender a cabeço do rapaz e os seus sentimentos
Se existisse uma maneira mais fulgaz, de renascimento
vai saber porque falhou a voz, um arrependimento


Se tinha que ser assim
Se essa era de fato a hora do fim
Porque não paro de pensar
Em seus olhos coloridos
Pedindo pra ficar

Não é a falta de qualquer alguém
É a falta de quem realmente me faz bem
Se ainda tenho muito pra lutar
Pq não ter ao meu lado
Um amor pra me ajudar


Se pudesse lhe sentir
Ao menos só mais esta noite
Com certeza obrigaria
Que tempo e o espaço
Se congelassem no meu quarto

Recomeçar um antigo amor
Apagar o que ficou borrado
Repintar o céu de rosa
Atravessar novos destinos
E te-lá novamente do meu lado


quinta-feira, 24 de julho de 2008

Entre pingos d' água...


eu tentava passar, mas não dava. Mesmo sendo poucos, eram grossos, gelados, caiam como pequenas bombas em mim, entrando pelas minhas costas, esbofeteando meu nariz, e despenteando meu cabelo.
Era inútil qualquer forma de resistir à natureza, mas, ao contrario dos mundanos que se refugiavam em toldos e pontos de ônibus, lá estava eu.
Malabarista curitibano, entre suas calçadas sinuosas estrebuchava sozinho em busca de vencer a maldita chuva que anunciava sua chegada com o batalhão de frente de chuviscos pontiagudos.
Se ao menos tivesse com minha armadura negra, ou um simples jornaleco para conter o ataque frontal do inimigo... Mas estava sozinho, e naquela altura do campeonato sabia que era inútil correr, pois seria alvo fácil. Tinha que parar, ser cauteloso, sentir o inimigo prever seus passos e como uma o vento desviar de seus pingos que continuavam a cair desbaratinadamente.
Mas já não tinha mais como resistir, eles eram muitos e eu muito grande para resistir. Entreguei-me, mais ou menos lá na Tibagi com a Marechal Deodoro levantei minha bandeira branca, e a chuva como um macho tentando impressionar sua fêmea gritou, uivou e pisou em mim com um mar de pequenas gotas finas e violentamente rápidas.
Os humanos presentes não entendiam porque resistia a ela, meros fracos que não lutaram por uma roupa seca.
E foi naquela esquina que depois daquele batizado, a chuva se apaixonou por mim. Era apenas uma criança insegura e carente que estava com medo de mim, afinal de contas a pouco mais de 20 anos havia a abandonado.
Não era difícil lembrar-se de minhas fugidas com a bicicleta aonde alcançava a liberdade extrema ao abrir a boca e tomar água de chuva.
Tinha me tornado um adulto chato, um velho carrancudo que virou as costas para um de seus amigos, e ela ficou eternamente, tentando brincar comigo, mas nunca mais quis nem ouvi-la.
Desculpa-me pobre e tão linda chuva. Vamos brincar como outrora, vou pular em você até chegar a sete de setembro.
Só quero saber, quem vai lavar minha roupa depois.